O jogo WAR no estudo das grandes guerras do século XX

Bruno Gomes de Melo

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Dentro do currículo da disciplina de História, temos diversos temas que suscitam a curiosidade dos alunos. Dentre eles, existem dois que chamam demais a atenção: a Primeira e a Segunda Guerra Mundiais. Muitas são as perguntas, mesmo em anos anteriores à discussão deste tema – seguindo uma perspectiva linear acerca do ensino de história, proposta da maioria dos livros didáticos e das redes públicas e particulares –, como por exemplo: porque elas aconteceram, como aconteceram e se ou quando teremos a Terceira Guerra Mundial. As duas primeiras perguntas podem ser respondidas a partir do estudo histórico destes acontecimentos. Já a terceira, é um exercício de futurologia que é comum os alunos buscarem em seus professores de História, tendo em vista a complexidade do tema e da contemporaneidade. 

Estudar sobre as “Grandes Guerras” do século XX tem uma enorme gama de possibilidades, dada a quantidade de produção sobre o tema – livros, filmes, séries, jogos, entre outros. Mas, em várias dessas possibilidades, os estudantes ficam em uma posição passiva frente ao conhecimento, ou seja, se colocam – ou são colocados – como meros espectadores do conhecimento que será “derramado” em suas cabeças, o que acaba não dando uma dimensão mais ampla das ações e ideias humanas que levaram a estes acontecimentos de nossa história. A partir dessas questões, minha proposta foi elaborar uma sequência didática na qual os alunos pudessem aliar conhecimento teórico e experiência prática sobre o tema, incluído em uma perspectiva histórica de longa duração, na qual estas guerras estão inseridas em um acirramento das questões imperialistas e nacionalistas oriundas do século XIX, tal como podemos ver em grande número de estudos sobre o tema, dos quais destacamos os estudos acerca do período contemporâneo de Eric J. Hobsbawm e a brilhante leitura de Hannah Arendt sobre a relação entre imperialismo e totalitarismo.

Em minha proposta de sequência didática, promovo a seguinte estruturação, levando em consideração aulas de 45 minutos:

1º Aulas teóricas: Apresentação de esquema-resumo de fatos relevantes desde o final da era napoleônica, e seu consequente rearranjo dos limites territoriais na Europa, passando pela expansão colonial européia na África e na Ásia e chegando ao fortalecimento das ideias nacionalistas e as constantes tensões entre os países – três aulas;

2º Atividades de fixação: Estudo dos alunos – leituras e realização de atividades escritas – para aprofundamento e discussão dos temas acima descritos – três aulas;

3º Aulas práticas: utilização do jogo de tabuleiro War – seguem nas referências bibliográficas regras e vídeos sobre como jogá-lo – para que os alunos tivessem a experiência de elaborar estratégias de confronto e conquista de territórios, assim como os países em guerra. A atividade foi estruturada seguindo os parâmetros do jogo e o cronograma abaixo:

4º Debate em sala: Discussão acerca das percepções sobre a realização do jogo, como a elaboração de estratégias e se elas foram efetivas ou não para o resultado, além da busca da aproximação com a parte teórica trabalhada anteriormente – uma aula;

5º Estudo dirigido: Apresentação de vídeos, esquema-resumo e leitura de textos sobre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial – três aulas;

6º Debate final: como e porque os atores envolvidos nas guerras tomaram suas decisões e reflexão sobre quais elementos podem levar a um novo confronto de proporções mundiais – uma aula.

Certamente alguns temas interligados com as “Grandes Guerras”, como por exemplo a Revolução Russa e a ascensão de governos totalitários na Europa, não foram aprofundados nesta sequência, por serem temas de amplitude e complexidade para além da dinâmica do jogo. No entanto, os assuntos não foram ignorados nas discussões com os alunos como elementos importantes nas reflexões e tomadas de decisões dos atores históricos envolvidos nos acontecimentos estudados.

Por fim, a proposta de sequência didática aqui descrita deixa em aberto uma atividade avaliativa final, pois cada escola e turma possuem uma dinâmica, o que pode levar a diferentes meios de avaliação dos alunos com relação aos temas estudados. O mais importante na proposta é conseguir aliar o estudo teórico dos temas Imperialismo, Neocolonialismo, Nacionalismo, Primeira e Segunda Guerra Mundial com uma atividade prática e um momento final de reflexão, em forma de debate, acerca do caminho percorrido. Dessa forma, os estudantes podem partilhar suas percepções com os demais colegas, na construção de um conhecimento coletivo sobre estes temas que aguçam tanto a curiosidade dos alunos. 

Referências Bibliográficas

ARENDT, Hannah. Origens do Totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

HOBSBAWM, Eric. A Era do Capital. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

_______________. A Era dos Impérios. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

_______________. A Era das Revoluções. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.

_______________. Era dos Extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

_______________. Da Revolução Industrial Inglesa ao Imperialismo. 5ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000.

_______________. Nações e nacionalismo desde 1780. 6ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2013.

REGRAS DO JOGO WAR: https://tablegames.com.br/wp-content/uploads/2017/10/war_manual_table_games.pdf Acessado em 15/03/2021

ROMIR PLAY HOUSE. War – Como Jogar. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=4pN7Ee0M3Ko Acessado em: 15/03/2021

brunogomes@relatosescolares.com.br | + posts

Professor na rede municipal de ensino de São Paulo. Bacharel e Licenciado em História e Graduando em Filosofia.

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2 Comentários

  1. Ótima sequência didática. Uma possibilidade interessante é o uso das versões digitais. Tem app para smartphone/tablet e site para jogar online, o que pode ser bem útil na falta da versão física/ contexto híbrido. As possibilidades de trabalho interdisciplinar também são grandes: geografia pode trabalhar fronteiras, matemática pode tratar da mecânica dos dados e probabilidade. Essa é sem dúvida uma proposta muito rica. Parabéns!

  2. Utilizar jogo como uma ferramenta para estimular a aprendizagem é uma prática muito rica que tende sempre ser bem sucedida. Ainda mais acompanhada de uma sequência didática com outros elementos para estruturar e complementar o conhecimento. Parabéns.

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